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quarta-feira, 4 de julho de 2012

Atleta das Veteranas da Huíla torna-se árbitra internacional de futebol



Tânia Duarte fez parte da formação das Veteranas da Huíla, equipa que venceu o II Torneio Inter Regional de Futsal Feminino. Apesar da paixão pelo futsal Tânia teve que abdicar de alguns jogos(alguns até decisivos)porque tinha partidas para apitar uma vez que é árbitra principal da segunda divisão(futebol). O caminho para alcançar o sucesso nem sempre foi fácil. Tal como todos os árbitros Tânia já foi muitas vezes injuriada e até ameaçada, a isso junta-se o facto de ser mulher e todos os preconceitos que a isso estão asscoiados. Problemas á parte, nada disso fê-la desistir dos seus objectivos e hoje já é árbita internacional. Parabéns Tânia e que sirvas de inspiração para muitos outros/as! Leia na íntegra a entrevista dada por Tânia Neves ao jornal dos desportos.

Tânia Duarte é agora árbitra internacional


Começou a praticar desporto por gosto ou por força de um convite?
Comecei a minha actividade desportiva no karaté através de um convite feito pelo professor Juca Fernandes, quando eu tinha 12 anos. O convite levou-me ao gosto pelo desporto. Pratiquei o karaté até aos 16 anos de idade. Aos 17 anos, fui para o Benfica Petróleo do Lubango praticar o basquetebol. Joguei nos escalões de iniciados, juniores e seniores, como extremo poste, e depois optei por praticar o futebol onze onde tive mérito. No futebol permaneci durante cinco anos como defesa central e em 2009 fui para a arbitragem. Comecei no quadro de acesso; em 2010 subi para a primeira divisão como árbitro assistente; em 2011, passei a árbitra principal da segunda divisão, na qual estou agora. Graças a Deus, neste ano de 2012, sou árbitra internacional.

Como foi a sua adaptação do karaté para o basquetebol onde foi atleta de referência?
A minha passagem do karaté para o basquetebol não foi difícil porque a preparação do karaté serviu para a minha defesa pessoal e o karaté tem a ver com o físico. Na altura estava o professor Beto que me pediu para jogar basquetebol devido à minha altura. Como sou de uma família que joga basquetebol, a minha adaptação foi fácil.

Que cinturão chegou a ostentar como karateca?
Cheguei até ao cinturão verde.

No basquetebol quais foram as proezas conquistadas?
Conquistei o campeonato nacional de iniciados, por duas vezes e o de cadetes em duas ocasiões. Infelizmente, na categoria de seniores participámos uma vez num campeonato nacional e saímos em terceiro lugar.

Quais foram as razões que a levaram a deixar a prática do basquetebol?
Foi devido ao futebol. Criei uma paixão pelo futebol onze e preferi optar por jogar essa modalidade e pôr de parte o basquetebol depois de seis anos de prática.

Que memórias guarda dessa modalidade?
Muitas. Principalmente no que toca a participações em campeonatos nacionais, quando nos sagramos campeões, na categoria de cadetes em Luanda. Como praticante de futebol a maior recordação que tenho é ter ascendido à selecção nacional de sub-20 que representou o país no torneio decorrido em 2006 na Namíbia.

Como foi a sua passagem pelo futebol de salão?
Depois de me dedicar à arbitragem, já não podia jogar futebol onze. Então, a formação de futebol onze que representei criou uma equipa de salão e fomos campeãs em 2007. No ano passado, fomos campeãs regionais.



Tânia na sua equipa, Veteranas da Huíla


Que clubes representou durante estes anos todos?
Comecei a jogar futebol onze nas Pitangas Vermelhinhas em Luanda. Depois vim para o Lubango, onde representei as cores do Sporting do Lubango durante um ano, posteriormente joguei pelas Amigas do 1º de Agosto, onde terminei a minha carreira.

Hoje fala também nas vestes de árbitra. Como encara essa difícil missão?

A arbitragem é difícil. Principalmente para as mulheres, porque ainda reina aquele preconceito dos homens segundo o qual as mulheres não conseguem ou não podem fazer isto ou aquilo, o que não é verdade, pois hoje vemos mulheres a exercer cargos de direcção e chefia nos mais diversos sectores da vida política, económica e social do país. Actualmente, considero-me uma boa árbitra e capacitada para actuar e ajuizar qualquer partida de futebol.

Que avaliação faz da arbitragem nacional?
A arbitragem nacional não está tão mal como muito se propala, embora tenha que mudar algumas coisas. Mas, o Conselho Central de Arbitragem tem feito tudo para que os seus quadros prestem uma arbitragem com prestígio, isenta e imparcial para merecer a credibilidade da Confederação Africana de Futebol, CAF.

Durante o seu percurso como árbitra já se deparou com contestações dos adeptos ou jogadores?
Isso acontece sempre, porque para os adeptos e jogadores, o árbitro é o único que não deve errar. O árbitro é sempre mal falado ou criticado. Comigo já aconteceram cenas desagradáveis. Já fui insultada pelos adeptos, mas preferi não dar ouvidos. Lembro-me ainda que o primeiro jogo que tive como árbitra, o ano passado no Namibe, foi Sonangol - Ara da Gabela. Nesse jogo, assinalei uma grande penalidade contra o Sonangol e em seguida tinha que expulsar um jogador. Devido a essa minha atitude, o público levantou-se e contestou a minha decisão, gritando. Chamaram-me todos os nomes possíveis. Que fazer? Só temos que aguentar e aturar isso tudo enquanto árbitros. Mas a verdade é que enquanto humanos somos susceptíveis de errar.

Que projecto desportivo tem para o futuro?
O meu projecto é continuar a trabalhar para poder contribuir para o desenvolvimento do desporto, principalmente na província, assim como prosseguir uma carreira que me faça alcançar o nível de árbitros de referência no contexto nacional e internacional. Sempre que tenho uma oportunidade de participar em seminários de capacitação de arbitragem, faço questão de estar presente.



Tânia falhou a final do inter regional precisamente por ter uma partida para apitar



Que opinião tem do projecto do governo na aposta da revitalização do desporto escolar a nível do país?
É um bom projecto. Se realmente for concebido será uma grande valia para o futebol, andebol, basquetebol, atletismo, voleibol e outras modalidades. A nível local, já se notam alguns avanços com a realização do curso de nível médio para professores de Educação Física.

GÉNERO
O desporto também é para as mulheres

Que comentário faz da prática desportiva no seio da camada feminina?
Está muito adormecida, porque as meninas da província têm um preconceito quanto ao futebol. Elas pensam que a prática do futebol é somente para rapazes. Acham que só os homens é que devem praticar o futebol e o desporto no geral. Por isso é que o futebol onze nesta província está a decair a cada dia que passa.

Que conselho deixa às mulheres que têm esse preconceito?
Que deixem de lado o preconceito. Vamos lutar para desenvolver o futebol feminino no país e em particular na província.

Será este o único problema que emperra o desenvolvimento do futebol feminino na Huíla?
Não. O maior problema é a falta de patrocínios. Não existem patrocinadores, que apostem de forma séria no desporto feminino. Por isso é que a modalidade está a morrer. Se houvesse patrocinadores, de certeza que haveria também muitas equipas femininas. Essa situação arrasta-se também no basquetebol. Existe na província o Benfica do Lubango, que era o único clube que tinha os escalões de seniores. Agora não tem mais. Então, se houver patrocinadores, creio que localmente teríamos outras agremiações com vontade de apostar nos escalões seniores.

Existem poucas equipas no país a apoiar o desporto feminino.
O que deve ser feito para se inverter esse quadro?

Criar mecanismos para que os clubes com formações seniores criem igualmente uma formação feminina. Essa é, na minha opinião, a única solução. A continuarmos neste andar da carruagem, corremos o risco de não ter mais o futebol feminino.

Ainda há o problema da falta de competições…
As poucas competições existentes no país na camada feminina devem-se ao reduzido número de equipas, motivado pela falta de patrocínios. O futebol feminino é como se fosse o processo de massificação. Se na massificação não existem lucros, os patrocinadores fogem e procuram outras áreas onde há retornos de investimento.

Que apreciação faz das poucas equipas de futebol feminino existentes a nível da província?
O futebol onze na província está um pouco diminuído, no que aos números diz respeito, devido à ascensão de muitas praticantes ao escalão sénior. As jovens começam a praticar uma determinada modalidade nos escalões de formação (iniciados, cadetes e juniores) e quando transitam para o escalão sénior param, por inexistência de equipa com essa categoria. Esses factores obrigam ao término da carreira. Por isso, urge mudanças.

É mais fácil ser árbitra que auxiliar administrativa
Além de árbitra é auxiliar administrativa?
Sim, sou auxiliar administrativa de uma empresa de segurança aeroportuária, no aeroporto internacional da Mukanka, há cinco anos. Também estou a frequentar o 1º ano do Curso Superior de Direito.
É uma tarefa difícil?
Ser segurança é uma tarefa muito difícil tal como no futebol. Há aqueles que dizem que a mulher não é capaz e não pode, porque é trabalho para homem. Mas estamos aqui para demonstrar que as mulheres também podem.

Ser árbitra e ser segurança. Qual é a actividade mais difícil?
 É mais fácil apitar um jogo do que enfrentar os seguranças no serviço, porque lidar com homens, no dia-a-dia, é muito complicado. Eles têm tendência a menosprezar as mulheres. Vale a pena apitar.

Que apelo faz a outras mulheres?

Que lutem pelos seus direitos. Façam o que gostam. Não dependam de alguém e lutem para fazer ou alcançar o que pretendem. Aos homens apelo que deixem de lado o machismo e preconceito. A mulher também é capaz e tem poder e capacidade de fazer o que o homem consegue fazer.

Perfil
Nome Completo: Tânia Marisa Duarte
Filiação: Emílio José Duarte e Juliana Ndeumona
Data e local de nascimento: 24/10/86, no Lubango
Estado Civil: Solteira
Filho: Um
Música: clássica
Filme: Terror
Hobby: Ouvir música
Peso: 65 kg
Altura: 1,78
Calçado: 39
Cor preferida: Azul Claro
Prato: Calulu
Bebida: Sumo
Casa Própria: Não tenho
Carro: Tenho
País de Sonho: Grécia
Cidade angolana: Lobito
Acredita em Deus? Sim.
Sente-se realizada? Ainda não.
O que acha da homossexualidade:
é um mal de que enferma a sociedade. Porém quem somos nós para criticar a opção de cada um? Eu respeito.

in:  Jornal dos Desportos

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Veteranas da Huíla vencem de forma brilhante o II Torneio Inter Regional de Futsal Feminino

O fim de semana foi de festa para o futsal. Em Benguela, decorreram os jogos para apuramento do Campeão do II Torneio Inter Regional de Futsal Feminino. Sábado decorreram as meias finais e no primeiro embate defrontaram-se X Mex Amazonas FC de Luanda e Veteranas da Huíla. Esperava-se um jogo de grande qualidade pelos resultados de ambas as equipas na fase regular, mas não foi o que se viu. A equipa de Luanda entrou com excesso de confiança e apatia no jogo perante um adversário que cedo mostrou que estava ali para ganhar. Aproveitando bem as desatenções da equipa adversária, as comandadas de Pick Gourgel carregaram e fixaram o resultado em cinco zero ao intervalo. No segundo tempo, o jogo melhorou um pouco com a equipa da X-Mex a arriscar tudo e jogar com o 5º homem durante quase toda a 2a parte. Fruto disso conseguiu marcar 3 golos mas sofreu outros quatro. Resultado final 9-3 para a melhor equipa em campo do primeiro ao último minuto. O prémio MVP foi para Tárcia Santos.

No outro jogo Angoalissar de Benguela e Girajovem do Huambo procuravam uma vaga na grande final. Ao contrario do que se pensava o Girajovem não acusou a ausência de um dos pilares da sua equipa, a Capitã Madó e lutou com todas as suas forças contra a Angoalissar. O jogo foi para o intervalo com 1-0 no marcador mas terminou com 4-0 a favor da equipa de Benguela. Apesar do resultado o jogo não foi fácil para a equipa de Valódia Campos que teve que ultrapassar uma equipa jovem que a cada ano está melhor e o que não têm de técnico-táctico, têm em raça, força, vontade e querer. A MVP do jogo foi Joyce do Girajovem do Huambo.

O DIA DA GRANDE FINAL

No dia seguinte (Domingo), os jogos começaram por volta das 8h00, para o apuramento do 3º lugar. A equipa de Luanda entrou apática no jogo (novamente) pelo que a primeira parte do jogo foi algo morta e desinteressante. As poucas oportunidades de golo que houveram pertenceram ao Girajovem do Huambo, na sua maior parte das vezes através do seu elo mais forte, a Joyce. A segunda parte já foi melhor, a X Mex abriu o marcador através de Carla David, mas pouco depois Joyce repôs a igualdade. O Girajovem jogava melhor, pressionava mais e alcançou sem surpresa o golo. Pouco depois poderia ter ampliado a vantagem para 3-1 mas não o fez e diz o ditado que quem não marca sofre. Carla David voltou a marcar e pouco depois fez a assistência para Lee Rodrigues fazer o 3-2 final. MVP do jogo foi, tal como no dia anterior, Joyce do Girajovem do Huambo.
No jogo seguinte, a final. Qualquer um que estava no pavilhão se deliciou com o que viu. Jogadoras cheias de técnica, táctica e acima de tudo, jogadoras cheias de vontade. De um lado uma equipa que já leva muitos anos na modalidade e é bastante conhecida, a Angoalissar. Do outro lado uma equipa não tão conhecida, mas com duas internacionais no seu plantel e que no campeonato nacional passado já tinha deixado a sua marca, antes de ser desqualificada. Foi um jogo bastante disputado, bastante competitivo, as duas equipas puseram em campo todas as suas armas, as veteranas da huíla foram desfalcadas mas ainda assim conseguiram lutar e chegaram ao fim com uma vitória por 5-4. Mais uma vez vitória mais que merecida.

No final posso dizer que foi um torneio fantástico. Descobriram-se talentos que eram de todo desconhecidos, notou-se uma evolução abismal das equipas e da organização do torneio. Fizeram-se amizades, passaram-se conhecimentos, ensinamentos e acima de tudo mostrou-se a todos que estão criadas as bases para um futuro risonho. Todas as equipas são vencedoras porque como membro de uma delas, sei quais são os sacrifícios inerentes á participação nesta prova, cada um á sua maneira, mas todos fizeram sacrifícios e tornaram possível esta festa do futsal. Para o ano só pode ser melhor.


Classificação Final
1.º Lugar - VETERANAS DA HUÍLA


2º Lugar - ANGOALISSAR DE BENGUELA



 3º Lugar - X MEX AMAZONAS FC LUANDA


4º Lugar - GIRAJOVEM DO HUAMBO


Melhor Jogadora e Melhor Marcadora
Tárcia Santos - Veteranas da Huíla

GR Menos Batida
Marina Correia- Angoalissar de Benguela


Equipa Fair Play
Girajovem do Huambo

Juntos somos e seremos sempre mais fortes!

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Final do II Torneio Inter Regional de Futsal Feminino

Decorrerão amanhã em Benguela as meias finais do II Torneio Inter Regional de Futsal Feminino

Ás 16h00 jogará Angoalissar de Benguela vs Girajovem do Huambo
Ás 17h00 jogará Veteranas da Huíla vs X-Mex Amazonas Fc de Luanda

No domingo apartir das 10h00 jogar-se-á o 3º e 4º lugar e depois a grande final.